O Zahir

Opinião geral sobre o livro :

O tema do livro toca nas feridas mais profundas da natureza humana que são: o poder, a doença, a guerra, a obsessão, a fama, a crítica, a religiosidade, a amizade, o ódio, o amor, o dinheiro, a falsa felicidade, o mundo das celebridades e os favores. É uma obra de reflexão, e um romance com múltiplas faces de interpretações, que mexe com as emoções de qualquer um.

Como leitora assídua de suas obras afirmo que foi uma leitura fácil e prazerosa da primeira a última página, superando as minhas expectativas. Foi muito bom saber de fatos sobre o escritor que para mim eram totalmente desconhecidos. Senti muita ansiedade em terminar o livro e ao mesmo tempo a estranha sensação de pesar ao notar que ele estava terminando. Quando se trata de uma obra excelente, o medo da decepção no final da história é muito grande, tanto é que graças a minha ansiedade em querer saber se o seu desfecho era como eu imaginava, ao ler a última página fiquei triste, não era nada daquilo que esperava, mas depois relendo com mais atenção, vi que o fim é exatamente como havia previsto, não podia ser diferente, a força do amor e do sacrifício venceu barreiras que pareciam inquebrantáveis. Vi a fragilidade e a emoção tomar conta do coração de uma mulher com o nome de Esther e ao mesmo tempo a admirável força e coragem de uma guerreira que luta e se sacrifica pelo seu homem. Vi no escritor uma criança crescida ao abordar com talento e genialidade temas como a felicidade, a tristeza, a guerra, a epilepsia, o amor e o Banco de favores, pois quem não tem créditos nessa poderosa instituição não consegue viver neste planeta.

Ele me fez descobrir, embora tenha refletido muito sobre o assunto, custei a entender e agora dou razão a ele, que os verdadeiros amigos são aqueles que vibram sinceramente com o nosso sucesso.

O Zahir estremeceu como um terremoto os meus alicerces que julgava ser tão sólidos, me fazendo refletir e rever por várias vezes valores que julgava corretos. Despertou os muitos Zahirs adormecidos dentro de mim, aqueles que carregamos desde a infância e continuam presentes nas nossas vidas.

Seus milhões de leitores certamente experimentarão situações semelhantes ao do escritor, fato inevitável, pois ele consegue passar com maestria suas emoções de maneira muito sincera e profunda. Expondo conceitos errôneos que a sociedade nos impõe, me colocando muitas vezes na condição de “acomodadora”.

O autor num ato de coragem e bravura como um soldado em um campo minado, se despiu diante dos ávidos olhos dos seus leitores, falando dos seus desamores, dissabores, decepções e relações extras conjugais comum na vida de qualquer pessoa.

Que Zagreb (Croácia) é uma cidade especial para ele e o quanto é explícita sua paixão pela França adotando esta como sua segunda pátria. Ele tem bom gosto.

Fiel aos seus leitores, sem trair os seus conceitos de liberdade, amor e convicção do lado feminino de Deus, tão presente em suas obras.

Vejo “O Zahir” como um enorme vulcão adormecido, prestes a entrar em erupção. E quando esse fenômeno natural acontecer, esteja preparado meu amigo, a explosão será de tamanha intensidade que será difícil controlar a sua força, pois assim como eu, muitas pessoas não escaparão das inevitáveis queimaduras que suas lavas incandescentes irão provocar. Ele vai cuspir fogo pelos quatro cantos da terra. Sendo capaz de cobrir de cinzas até “O Alquimista”.

Parabéns pela bela e preciosa obra, e desejo a você no fundo do meu coração muito sucesso.

Beijos
Marcia Nascimento
Presidente do Fã-Clube Oficial Paulo Coelho
Rio de Janeiro, 24 de março de 2005

 

 
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